sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Tirando o Peso das Costas

Em primeiro lugar, meu profundo agradecimento a todos os amigos que me emocionaram com as palavras de conforto e de apoio pelos momentos delicados que passamos no início de 2013. Foram dias bastante complicados, mas é justamente nas palavras de carinho que encontramos suporte para continuarmos a caminhar tendo a Esperança como Fonte de Vida.  Bom, mas vamos ao primeiro  texto de 2013.

Tirando o Peso das Costas


     Em todas e quaisquer caminhadas, além dos peso normal de nosso corpo, vamos acumulando dois outros pesos de exponenciais grandezas: a sujeira nos sapatos e as preocupações pelo não resolvido. A cada lugar visitado, em cada etapa atingida (seja em qual caminhada estiver: física ou emocional, um relacionamento por exemplo) absorvemos poeira em nossos sapatos (sapatos físicos e  sentimentais). Podem ser simples grãos de poeira, ou por vezes, enormes pedras cujo peso faz-nos arrastar  por quilômetros a fio. São sedimentos pois pisamos no solo com excessiva força, demarcando lugares, importunando habitats e modificando o meio ambiente de forma explosiva, e por muitas vezes, sem sermos convidados. Mas certos de nossas atitudes ou pior, com um comportamento totalmente irresponsável para com os demais, além de modificar os lugares, os trazemos conosco. O machado que corta a árvore é irremediavelmente envolvido por seu aroma. Primeiro, não pedimos licença e vamos entrando qual manada de búfalos pisoteando flores, arrancando pedras, cavando buracos... para completar saímos sem sacolejar os sapatos (ou cascos).  Como isso custa caro no restante do trajeto: pequenas pedrinhas que entram, machucam e nos ferem. E ainda culpamos os outros pela dor por nós mesmos provocada. 
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Vazante-carga-pesada_0_360563966.html

     As preocupações pelo não resolvido nos afetam ainda de forma mais devastadora, pois não prestamos a devida atenção aos novos elementos na jornada fazendo-os a se transformar em novas preocupações. Não adianta, enquanto não tivermos a clareza, a não pendência,  seguir adiante. O cérebro quer ir para frente, mas o coração nos afunda e nos segura no passado. O não resolvido, o adiamento, o postergar apenas  nos conduzem a um buraco ainda maior, mais profundo e de mais difícil visão. 

    " Abre as asas sobre mim, Oh Senhora Liberdade.." assim  é o refrão de uma samba maravilhoso que nos norteia a resolver a vida: por para fora, expulsar os sentimentos que nos afligem. O universo sempre conspira a favor, sempre de alguma maneira as revelações acontecem. E quando são feitas, mesmo que sejam provocadoras de distúrbios em outrem, são verdadeiros alívios para as almas  atreladas no processo acima descrito. Agora não há mais o que se esconder, nem o que se postergar. Para-se tudo, todas as cartas à mesa e não há mais truques. Aqueles cujos sentimentos são mais bem explorados, mais puros, mais bem identificados podem seguir com sua caminhada.

Paz e Alegria


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Saudade

          Dizem que a palavra SAUDADE é única da Língua Portuguesa; nenhuma outra define o termo. Não concordo! No inglês temos pain; dolor em espanhol;  douleur em francês; Schmerz, alemão e todas as demais línguas definem muito bem o sentimento SAUDADE, o sentimento DOR. 

          A dor, sim, é única e cada um a sente à sua maneira e intensidade. Toda saudade significa ausência: seja da pessoa, seja de momentos vividos... ausência dói e dói muito. Muito mais fácil absorver uma dor física a uma dor sentimental. Quando alguém nos desaponta,  o mundo se abre num buraco sem fundo. E sempre vamos ser desapontados e vamos desapontar alguém. Se amamos e não podemos juntos estar (seja pelo motivo que for), sofremos de amor, o coração se rasga. Impossível, por exemplo, fazer compras num supermercado e passar desapercebidamente por uma prateleira que tenha algo do gosto de quem sentimos saudade. É mecânico, é automático. Algumas pessoas não concordarão com o que escrevo por um simples motivo: são pessoas que não conseguiram encontrar, ou melhor, sintonizar o AMOR; são por conseguinte, pessoas mais ásperas, mais secas cujas atitudes estão direcionadas a outros,  e também não menos importantes, valores.  Mas o artigo de hoje está direcionado àqueles que perceberam o lance do supermercado. 

          E a "coisa" é tão forte, que se a grana está escassa, tiramos algo do carrinho para colocar o "produto" do outro no lugar. Meu filho  Felipe, por exemplo,  mora fora do país e temos mais de 4 anos que não nos vemos pessoalmente. Além da internet e do telefone, nossos canais de comunicação, tenho sempre em minha despensa  um pacote de lentilha;  pois sei que é do agrado dele e só a visão do pacote já me remete ao prazer de vê-lo comendo. E inúmeros são outros exemplos... Até kani, que eu não como, tenho sempre em meu congelador.  


          E são essas pequenas lembranças que aquecem nossos corações; que nos dão a certeza do continuar o caminho. Não quero a pessoa mais linda do mundo, quero apenas estar com quem me faz ver o mundo de maneira mais bonita... mais colorido e mais preto e branco (o riso e a lágrima) ... com amor. 

Paz e Alegria !



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vivendo a Km/h



"Oi, Fernando, tudo bem? Fulano está morando em ____ desde  maio e eu não sei mais o que fazer...

Recebi este email de uma amiga sobre o qual baseio-me essa reflexão:  A Distância ! É certo que a vida nos conduz a caminhos que por vezes vêm de encontro aos nossos pensamentos. Quem ama quer o ser amado próximo, o estar perto. Por questões de trabalho, por exemplo, casais ficam momentaneamente separados, como é o caso acima. Como lidar com isso? Como atender às nossas necessidades sendo que o parceiro(a) não está ao nosso lado? Que tipo de relacionamento é este?

Quando é o filho quem sai de casa para seguir sua jornada há uma certa facilidade para "acostumarmos" o coração a esse desafio. Mais cedo ou mais tarde, eles, os filhos, lançar-se-ão ao mundo, constituindo seus próprios alicerces. Por mais que essa separação em alguns casos possa ser doída, ela é natural. A internet e suas diversidades (câmeras, emails, redes sociais) podem amenizar e reduzir muito a distãncia, isso é muito legal ! É um caminho de encurtamento e de estreitamento das relações. Válido para todos os casos.

Mas quando se trata de relacionamento de casal a situação é bem outra. Claro que a internet ameniza, mas falta o dia-a-dia; falta a comunicação do toque, do beijo e do abraço; a cumplicidade do co-existir. No caso acima, o que preponderou à saída do esposo foi a questão financeiro-profissional. E trabalho é essencial! Deve-se fazer mesmo algum sacrifício pelo trabalho, afinal é ele quem nos proporciona viver. Casamento é superar dificuldades, mas a que preço? 

A distância que separa é a mesma que aproxima. Como assim? O mesmo fator, distância, pode ser interpretado como a estagnação de uma relação ou como a razão de ela existir. Em outras palavras, pode-se entregar sem luta alguma pelo fato de se estar separado ou pode-se lutar e criar forças para reduzir a distância sob todas as formas. Então o problema, na verdade, não é a distância e, sim, o Tempo. Tempo????  Precisa-se definir quanto tempo será disponibilizado para a distância não mais existir. E tempo é relativo: um segundo é tempo demais para quem foi medalha de prata na olimpíada e tempo de menos para quem está lendo um livro. É um acordo entre as partes: estipular o tempo necessário para a situação ser definida. E se o tempo não for acordado, as metas estipuladas e vencidas o sofrimento é certo e a relação vai se desintegrar; não por falta de amor, mas por ele próprio. Viver de expectativa é morrer encarnando Tício


Seja qual for o motivo: trabalho, viagem, loucura ou necessidade o tempo deve sempre ser levado em consideração para a realização do grande sonho: conviver !

Paz e Alegria

domingo, 21 de outubro de 2012

S.O.S




Quem já frequentou Shopping Center com certeza esteve perto de uma Hot Zone. Alguns, como eu, ao ouvir a confusão de ruídos no último grau de altura, saíram correndo.  Uma conversa  na mesa ao lado entre mãe e filho chamou-me a atenção. As personagens eram: mãe, com seus 30, 32 anos, vistosa, bem arrumada, celular última geração nas mãos, preocupadíssima com as mensagens que recebia e filho, criança com seus 6, 7 anos, triste, cansado, também com celular ultra-moderno, tentava chamar a atenção da mãe para o que ocorrera na Hot Zone.

Com a chegada do garção, uma pequena discussão sobre o que será pedido e a batata frita com refrigerante vence a disputa. Novamente o celular em ação e a criança tentando sem êxito obter a atenção da mãe.  Em seguida aparece o pai: 33 a 35 anos, todo de branco (médico ou dentista), beija carinhosamente a esposa e abraça o filho. O celular, neste instante, misteriosamente desaparece da mão da mãe. O filho volta  toda a sua necessidade à figura paterna, que por sua vez também não se interessa pelo teor da conversa.

 Logo em seguida, a criança começa a chorar, baixinho... um fungar quase imperceptível. A mãe toma um susto!

_Fulano, que  que aconteceu? Por que você está chorando?

_ Nada não, mãe, nada não!

_ Claro que é alguma coisa !!!  Fala logo !!! (obs.: aos berros, todo o shopping parou para olhar a cena)
O que era apenas um chorinho transforma-se, com o susto, num choro descontrolado. O pai dá uma “saculejada” no filho e também pergunta sobre o ocorrido. O menino para de  chorar e fica mudo, completamente mudo (nem reza brava faz a criança dizer alguma coisa).

_ Vamos embora agora! – Diz a mãe

_ Eu gastei uma grana para você ficar nos seus joguinhos e agora você fica chorando à toa!?!?!...

Fiquei apreensivo com o fato. Às vezes, tem-se tudo: boa educação, situação financeira estável, bens materiais e nos falta aquilo que nos faz diferente em relação às outras espécies do planeta: a atenção.  Relegamos a um segundo plano o ouvir nossos filhos. Não importa a idade, se mais jovem ou mais velho, nossos filhos têm seus conflitos e necessidades. Às vezes,  pecamo-nos por excesso, tentando entrar na intimidade deles em demasia; por outras, por falta, não lhes dando atenção.

E não importa se o conflito é “coisa pouca” ou não:  é conflito! Um obstáculo no caminho pode ser uma simples pedra para uma pessoa e uma enorme rocha para outra. Drumond que o diga. 

Paz e Alegria

sábado, 13 de outubro de 2012

A CARTA

          Ontem recebi um presente maravilhoso, algo que nem imaginei ainda existir. Compacta, simples, detentora de tantos sentimentos, de tantas habilidades... Feita de papel, portanto frágil... qualquer descuido e acabou-se. Apesar de lidar com ela em meu cotidiano, não sabia da sua existência pessoal. Estou falando de uma CARTA.

          Poderia ter sido e-mail, mensagem instantânea de celular, fax, rede social, mas não, uma CARTA. Alguém teve o carinho de procurar um papel de carta (daqueles que a gente colecionava... bons tempos) e deslizar sobre ele uma caneta como se uma bailarina do Teatro Municipal fosse: fazendo rodopios, linhas, saltos, pontos e contra-pontos. 

          A individualidade se fez presente: não era arial, nem times new roman; era a letra essencial, com suas nuances e marcas próprias, o que mostra o zelo, o apreço que tiveram para comigo.  Havia inclusive uma rasura... q coisa sensacional, a pessoa mostrou-se como é: com erros, tropeços e não mascarada por um corretor ortográfico. Uma sutil diferença entre ser e existir (Shakespeare). 

          O que queremos em nossas vidas nada mais é do que isso: uma pessoa que possa se mostrar e para quem possamos nos mostrar também, não o imaginário ou a ficção, mas o real e o autêntico. Sair do mecanicismo e enveredar pelo manufaturar da relação. É fácil observar como estamos mecânicos e robotizados:

1. Restaurante na hora do almoço: sempre alguém atende ou faz ligação pelo celular durante o almoço;

2. Happy hour: é possível ver mesas onde as pessoas estão ligadas na net sem prestarem atenção aos amigos na mesa;

3. Padaria: várias são as pessoas que vão à esquina de casa comprar pão e utilizam-se do carro;

4. Motorista: todos nós , em algum momento, estamos dirigindo com o celular na mão;

5. Escritores: já nos esquecemos de usar as palavras, mal sabemos a grafia delas (vc, blz, fds);

6. Babá eletrônica: a tv (que agora tem de ser de led ou Plasma) é o "tomador de conta" de nossos filhos;

7. Escola: o uso de calculadoras é cada vez mais permissível;

8. Escola 2: o uso de tablets no lugar de cadernos.

          Sabemos da vanguarda, da necessidade da evolução, mas percebo-me de maneira estranha a tais modificações. Para quem já nasce neste período, convivendo desde cedo,  é tudo normal. E talvez seja mesmo. Não estou julgando absolutamente nada. Apenas posiciono-me a respeito destas novas concepções. Nossas brincadeiras eram na rua, todos conheciam nossos pais, onde morávamos, quem éramos. A vizinhança se reunia em frente às casas... tomávamos café juntos: broa de fubá, pães de queijo quentinhos, a boa e velha limonada... Beber água era na mangueira: nunca ninguém ficou doente por causa disso. 

          Vejamos, por exemplo, as construções. Éramos cercados por casas, todas do mesmo estilo e com os portões baixinhos, pequenininhos. O tempo passou, os muros cada vez mais altos, fios elétricos por cima deles, rolos de arame farpado (verdadeiras casamatas)... já não há casas; no lugar, prédios...imensos... dezenas de pessoas umas sobre as outras e completamente alheias aos vizinhos. Por isso minha opção de morar numa cidade pacata, tranquila, sem violência



          Chega de saudosismo: este mundo ainda continua lindo, recheado de coisa bonita e, principalmente,  com pessoas maravilhosas de corações abertos ao próximo. 

Paz e Alegria.




          


quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de março

     Conheci Mulheres fantásticas nesta minha jornada: Bárbara, Nilza, Ângela, Regina, Elizabeth, Camila e Carolina, as quais devo minha existência, meus primeiros exemplos de Fé, de Alegria, de Desprendimento, de Firmeza de Caráter. 

     Outras tantas por quem me apaixonei como namoradas ou como amigas. Duas, em especial, Glauria e Márcia, que me presentearam com 3 maravilhosos filhos. Maria Ernestina (Taxina),  que foi para o mundo espiritual tão inesperadamente. 

      Outras ainda com quem trabalhei e que ainda trabalho. E tantas outras que, de uma forma ou de outra, compuseram-me um mosaico de sentimentos, uma aquarela de sensações... Mulheres de vários credos e raças, todas Maravilhosas!

     Mulheres impactantes, solícitas, altivas, fortes, confiantes e determinadas: minhas Mulheres Professoras, por quem tenho o mais profundo respeito, a mais profunda admiração. Há que se fazer um capítulo inteiro neste quesito. Tenho consciência de todas elas, mas ficaria, talvez, enfadonho se as relacionasse uma a uma, pois a lista seria enorme. Atenho-me então a um único nome: Stella Maris Brasil Santos. Você,  Stella, tem uma responsabilidade a mais entre tantas, a de ser meu vetor para homenagear a todas aquelas com quem tive contato; que sejam todas acariciadas e embaladas pelas mãos do nosso querido Mestre Jesus !  Não posso deixar de incluir aqui, também, uma Mulher disciplinária que fez muita diferença em minha vida, uma MARIA MARIA da música de  Milton Nascimento: Neide, minha Neide, a voz mais doce que uma seresta pode ter, viúva de um dos melhores amigos de todos os tempos, aquele que faz parte dos dedos de minha mão, Bananeira, e que com certeza deve hoje estar com seu violão cantando Ronda e encantando o céu.

     Tive o prazer de conviver com 2 Grandes Mulheres Educadoras em Pirapora: Lu Diniz e Ana Cláudia Chamone. Duas Mulheres de vanguarda, que hoje, devem estar no ano 2200, pesquisando novos Projetos, novas Iniciativas, sempre moldadas pela ética e pelo exemplo de Guimarães Rosa: o que importa não é a chegada, mas como fazemos nossa viagem.

     Tenho ainda uma homenagem a fazer à minha Grande Amiga, Grande Irmã, confidente de todas as horas: Bete Halle, filha do "babai" Said, a você o meu carinho, meu afeto e o meu Muito Obrigado !

     O que não falta são mulheres a ser homenageadas... Uma admirável Mulher: Inesita Barroso, figura marcante, defensora de nosso folclore, de nossa história, da nossa gente. Rendo também Graças às poetisas, Cecília Meireles e Cora Coralina; à escritora, cuja competência literária é imensurável, Clarice Lispector; às abnegadas, Irmã Dulce e Madre Teresa de Calcutá; às divas, Elis Regina, Nana Caymmi, Gal Gosta, Maria Bethânia e  Ângela Maria; às atrizes: Bibi Ferreira e Marília Pêra; à Presidenta Dilma; às jornalistas Roberta e Leila da Rede Minas.

     Outra Grande Amiga, Irmã Espiritual, profissional de rara competência, Regina Campidelli. Você, esposo e D têm lugar garantido em nosso coração.

     E o meu Muito Obrigado a você, Mulher, que faz com que nossos dias sejam mais intensos, que o nosso coração bata mais forte, que os nossos sonhos sejam realidade. Que sejam todas abençoadas e que Papai do Céu, em sua bondade infinita, as cubram com o Manto da Paz e da Alegria !


    

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ação e Reação

     Morei 8 anos em Pirapora, norte de MG, cidade à beira do Velho Chico, a mais cosmopolita de todas as cidades que já conheci. Aliás, todo o Norte de Minas tem por excelência ser acolhedor. É um outro estado dentro de Minas, culturalmente diferente. Grandes amizades em Januária, São Francisco, Janaúba, Salinas (uma pérola, por sinal), Novo Cruzeiro (aqui já no Vale do Jequitinhonha) e tantas outras cidades... Pode ser uma região pobre, economicamente falando, mas o Norte Mineiro tem a maior riqueza que um ser humano pode ter: o acolhimento e a sinceridade. 

     Mas o assunto de hoje é sobre  atitudes e consequências. Em uma das minhas idas a Pirapora, socorri um carro na estrada que estava sem gasolina. Eu retornei cerca de 20 km, comprei R$ 10,00 de gasolina e entreguei ao motorista. Quando ele bateu a mão na carteira, só havia R$ 5,00 e imediatamente quis fazer um cheque. Eu o abordei e disse: Não, faça o seguinte: nada de cheque ou depósito em minha conta, ao chegar em seu destino, compre um marmitex e entregue-o a uma pessoa que tenha necessidade, melhor pagamento impossível. Entramos cada qual em seu veículo e tomamos nossos destinos. 

     4 Anos se passam... eu, na Lagoa da Pampulha em BH, perto da A.A.B.B. as 11.30 h da noite,  meu pneu traseiro estoura. Quem conhece,  sabe bem que a esta hora, é um lugar sujeito a confusões, principalmente pela situação de se ficar exposto trocando pneu, mas como não havia o que se fazer, desci do carro e fiz uma pequena oração: Senhor, põe teus Anjos! Quando abri o porta-malas, parou um carro atrás, piscou o farol e um sujeito desceu. Este senhor portava à sua volta uma luz misteriosa, algo que até então nunca tinha visto. Não falou nada, apenas disse-me que ficasse tranquilo. Em suma, ele trocou o pneu, subiu e desceu macaco, sujou-se e eu não fiz absolutamente nada. Ele então me disse: "Você não está se lembrando de mim !"  Não tinha a menor idéia de quem era a pessoa. Foi quando ele me contou a história que ele estava na estrada , perto de Corinto, sem gasolina e que eu então o ajudei aumentando meu trajeto em 40 km (ida e volta ao posto) e que ele não tinha os R$ 5,00. Fiquei mudo. Como isso foi possível? É claro que eu quando o ajudei não tinha em mente que dali a 4 anos eu estaria na Pampulha com pneu furado e que ele me socorreria.

     Pode-se procurar explicação para o acontecimento: obra de Deus, sorte, coincidência, etc ... Mas nada disso me convence, exceto a única certeza que tenho em minha vida, a Lei do Retorno! Somos merecedores de tudo o que nos acontece, sejam coisas boas ou não. Nada acontece ao caso, aliás, acaso é algo que realmente não existe. Tenho por conduta servir: naquilo em que eu puder e da melhor maneira possível. Ser útil a alguém, não tem preço! Um simples sorriso, um abraço, uma palavra amiga, tudo, literalmente tudo, faz a diferença.

     E quando vejo meus filhos, Felipe, Gustavo e Igor, cada um à sua maneira, cada um com suas convicções, cada um com suas verdades... vejo-os, os três,  com  essa mesma característica de sempre estar presentes para ajudar. 3 grandes Companheiros e Amigos, como se diz por aqui: "pau pra toda obra". A Deus só posso agradecer esta oportunidade maravilhosa de ser Pai, de me permitir exercer essa função abençoada, de aprender a cada dia com eles. 

    Paz e Alegria                                             (foto de Pirapora by Aparício Mansur)

Fernando

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Metamorfose

     Foram-se anos... Tempo necessário para compreender a si mesma. Sentimentos conturbados, distorcidos, sofrimentos enormes e alegrias tamanhas. Tudo foi necessário; nenhuma vírgula escrita ao acaso (acaso não existe). 
     _ Eu errei muito! Disse-me ela com um penar e uma culpa terrivelmente enraizados no coração. Pergunto-me: _ Erros? Quais? Não há erros, houve escolhas, existiram caminhos tomados. E daí se faríamos diferente hoje ? Na época foram os escolhidos e  certos em nosso discernimento.  Mas é passado ! E se passou, passou. Da mesma forma que não piso em um rio 2 vezes, não posso alterar o que já vivi. Biblicamente já conhecido numa passagem de Ló:  aquele que olhar pra trás transformar-se-á em estátua de sal. O passado é somente referência, nada mais.

     _ Será que vou errar de novo? Agora sim, errou feio. Pois isso é futuro, futuro não me pertence nem a você! Se não posso viver o passado, muito menos o futuro! É querer segurar areia com a mão; escorre pelos dedos... 

     Resta-me apenas o agora; nem mais nem menos. É hoje o dia de minha transformação. É hoje que quebro as correntes e com a cara escancarada, sob a fúria do vento, com a alegria na alma,  desencasulo-me para a vida! Querem minha companhia? Segurem minha mão e voaremos juntos. Não estão prontos? Batam palmas e assistam meu vôo.

     E ela então se fez mulher e compreendeu o valor de ser livre, de ser feliz. Unir-se a quem lhe dá prazer, mas que também lhe dá afeto: a toalha quente, o abraço! Desejos animalescos entremeados a toques sutis... Morre o ontem, o antigo, a comodidade. Surge o instante,  a liberdade.

     É agora borboleta que estica as asas ao sol e começa suas primeiras aulas de aviação. Que voa ao sabor do vento e descansa no jardim que lhe convém. E que enxerga as coisas de cima. Isso é fantástico, ganhou verticalidade e consegue perceber todas as nuances de cores e de flores.

     E a partir desta comunhão de idéias e pensamentos, só há uma possibilidade: a de voar junto; de bater asas ao mesmo tempo, na mesma velocidade; ganhar o mais alto espaço e o mais baixo rasante; luppings de amor.

    É a construção infinita da vida: recuar,  quando preciso;  avançar,  para se dar continuidade e jamais, jamais  estagnar-se na rotina. O horizonte é o objetivo. Assim como o final do arco-iris.  Que maravilha entregar-se à vida, essa é minha proposta.

  
 Mas se contudo isso, o arriscar é gerador de medo, de receio ou de dúvida, é porque ainda não é borboleta, é tão somente uma lagarta. 

     Paz e Alegria

     Fernando




     
     


    

domingo, 8 de janeiro de 2012

Esperança !

     Começamos mais ano! Esperanças renovadas, promessas de mudança, mandingas e simpatias de todas as formas. Vale qualquer coisa: comer semente crua de romã, usar branco, pular ondas no mar 7 vezes seguidas... e mais infinitas possibilidades. E tudo é feito como se fosse a maior necessidade do mundo. Que todos os Orixás, todos os Santos e todas as Entidades de todos os credos e religiões consigam a ajudar nosso tão devastado planeta.

     Mas nosso assunto de hoje é a Esperança. Que sentimento é esse? Como ela atua em nossa vida? Pode alguém viver sem esperança?

     Encontrei-me com um amigo de longas datas que há muito não via, que ficou muito tempo sem trabalho e que nem por isso entrou em depressão,e falamos sobre esse sentimento. Ele me dissera que todos os dias ao sair de casa em busca de emprego tinha em mente somente um único objetivo: o trabalho! E que tinha a certeza de que iria conseguí-lo naquele dia. Disse-lhe: puxa vida! Você ficou quase um ano procurando. Ele retrucou: de jeito algum, foi apenas um dia, o dia em que eu consegui.

     Havia algo dentro dele que o movia de uma tal maneira que fiquei impressionado. Uma força que até então nunca tinha visto. E essa "força" é o que realmente lhe movimentava. O amigo era alguém muito além da pessoa que eu conhecia (Vale uma ressalva: ele é agnóstico completamente; não tem nenhuma religião, nenhuma doutrina, nenhuma seita.).  

     Perguntei-lhe se havia feito algum curso durante esses anos, algum tipo de concentração, ou auto-ajuda, ou qualquer outra coisa. Como fui arrogante ao achar que o que ele possuía fora adquirido ! Não, absolutamente não foi. É dele, é desenvolvimento e evolução dele próprio, puro merecimento. E a beleza está exatamente na descoberta do sentimento e, principalmente, na manufatura dele. Não adianta apenas descobrir a esperança em si mesmo se não for usá-la. Surge então dois passos: o da descoberta e o do uso.

     Como descobrir? Esperança está em estado latente em cada pessoa. Esperando uma oportunidade para brotar, para encontrar o sol, para se espalhar... Pode-se de alguma maneira provocar seu aparecimento? Acredito que não. Parece-me que seu despertamento ocorre diante de uma dificuldade e de como encaramos a vida. É de um instante de recolhimento e de reflexão. Ouvir pessoas que têm esse sentimento já definido nos ajuda a compreendê-lo e a querer despertá-lo em nós mesmos. Não vou entrar em nenhuma discussão religiosa a respeito.

     Como produzir? Muito simples: acordar sempre sabendo que o sol continua brilhando, mesmo que estejamos sob um temporal assustador; agradecer a oportunidade nos dada (não interessa por quem nem por que) de começarmos mais um dia em nossa jornada. E viver esse dia de forma intensa, com sabedoria, com alegria, com vivacidade. A esperança é a Arte de Viver ! Arte se pronuncia pelo dom, pela intuição que todos temos.

     Um 2012 de muita ESPERANÇA para todos nós.

Paz e Alegria

domingo, 11 de dezembro de 2011

Palavra dita, palavra sem volta

"Oi Fernando, meu nome é fulano.Cara, teu blog é muito maneiro! Acho q o c escreveu pra mim, o tal lance da confiança, sabe? Pois é, moro com beltrana faz um tempo e uns visinho aki falaram um tanto de coisa e tá tudo bagunçado..."

     A responsabilidade  da palavra é algo muito sério. De repente, em um canal de comunicação (blog) escrevemos alguns pensamentos e nem sequer imaginamos em quais casas vamos entrar. Recebi o email acima de uma pessoa que não conheço, de um lugar que nunca fui e nem imaginei de ir, que não sabe nada a meu respeito, mas que se identificou com o texto, e isso foi motivo bastante para essa pessoa desabafar e comentar sobre sua vida particular. 

     Acho isso incrível e realmente fico feliz por de alguma maneira levar uma palavra amiga, uma palavra de conforto e de motivação a quem quer que seja.  É um momento de compartilhamento, momento de interação, momento de doação. Ao mesmo tempo, vejo que nada acontece por acaso: seja na vida sentimental, seja na profissional, seja em qualquer situação: para tudo há uma explicação, uma resposta,  uma diretriz.

     Como que "de repente", alguém do outro lado do Brasil lê um artigo e se emociona com o que escrevemos? A responsabilidade como autor é imensurável. Algumas letras no papel são suficientes para desencadear um infinito de emoções, de sensações e de sentimentos. E nesse caso específico, tem mais um diferencial: eu estava numa loja onde não tenho costume de entrar e a jovem que estava na fila do caixa á minha frente fez o comentário da confiança. É uma rede social! Eu, num dia qualquer, entro numa loja, escuto uma frase que me inspira, escrevo, alguém que nunca tive notícias lê, se emociona e faz um contato. 

      Não se pode escrever qualquer coisa, de qualquer maneira, porque alguém sempre vai ler e um juízo, um tino, uma ideia serão  formados. Agora fico a "martelar" sobre todos os emails que já repassei... Que loucura! Quando repasso um email, viro  co-autor. Será que tudo o que já repassei eu realmente gostaria de ser considerado autor? A palavra dita é como uma flecha atirada: não tem volta. Posso apenas desculpar-me com os amigos se por algum equívoco cometido. Como diz Chico Xavier, não posso mudar o passado, mas posso ter um novo fim. Posso estar atento ao que repasso e é o que farei de hoje em diante. 

     O poder da palavra é infinito: se usada como arma, transforma harmonia em sofrimento; se usada com doçura, alivia a alma, acaba-se um tormento. 

     Paz e Alegria.

Fernando


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

E o sonho acabou ?

     Amanhã, 8 de dezembro, nossos corações uma vez mais se entristecem: John Lennon. Data para ser esquecida, não ser lembrada pois soa como uma batalha sangrenta; um pedaço da humanidade que foi dilacerado por um artefato de chumbo disparado de um revólver. As manchetes em todos os jornais foram: E O SONHO ACABOU. 

     Qual sonho? A volta dos Beatles?  Gosto muito do conjunto, queria, como todos, vê-los novamente juntos. Mas não era esse o sonho.  Isso é muito pouco! O verdadeiro sonho era vê-los, Yoko e Lennon, realmente mudando o mundo; transformando-o em uma irmandade, sem céu nem inferno... (Imagine). A ele adicionamos os sonhos de Martin Luther King, Ghandi, Chico Xavier, Madre Tereza e tantos outros homens e mulheres que com suas mãos, pensamentos e coragem transformaram o mundo pelo exemplo do amor. 

     Faz falta sim, o grande amor na vida da gente nos falta! Aquele com quem queremos modificar o mundo! E quando o encontramos, nossas energias são imediatamente revigoradas; os corações batem em velocidade inverossímil; as pupilas se dilatam para que possamos melhor enxergar o ser amado. E toda uma transformação (sempre para melhor) nos acomete; desafios são encarados de modo ingênuo; construímos rotas mais desbravadoras que a dos bandeirantes; nada nos separa de nosso objetivo.

     Dalai Lama nos escreve: "Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar."  Tão simples, mas muitas vezes é nosso orgulho que não permite o voo do outro; é nossa maneira volúvel de ser que não proporciona ao outro fixar raízes; são  nossos ciúmes nos afastam cada dia mais.

     Às vezes escutamos: "Ora, mas eu amo! E o meu amor é o melhor do mundo!"  Pura arrogância !!! Quem disse que o meu amor é o melhor do mundo? Pode ser pra mim, mas não necessariamente para o outro. E não é questão de o outro menosprezar nosso amor, não. É simples a equação. O meu melhor pode não ser suficiente: se há incerteza, não é suficiente; se há medo, não é suficiente. Não adianta nada eu  "enfiar" na cabeça dela  minhas qualidades,  o que sinto, como lhe sou bom, como lhe sou especial, como lhe quero somente o bem, como sou inteligente, como sou "bom cozinheiro": nada disso importa! É  ela, é o coração dela,  quem decide, e cabe a mim apenas a resignação: se a decisão for por mim, tenho uma responsabilidade enorme de manter e de aumentar o nível do relacionamento, de envolvimento; se a decisão não for por mim, minha vida continua e a dela também.

    E o que fazer se a decisão for contrária às minhas expectativas? E o que fazer agora que o sonho acabou? Nada, apenas Viver, sonhar novamente! Claro que há tristeza, há sofrimento e muito,  mas a vida nos exige constante aprimoramento. Compreendemos que ainda sempre estamos muito longe do ser ideal (estamos no caminho). Somos ainda (pois chegará o dia que não seremos mais)  muito incompetentes para amar e para ser amados. E que a vida é maravilhosa, pois nos permite sempre nos modificar e crescer. O Poeta já dizia: "Pedras no caminho, guardo todas... um dia vou construir um castelo".  Aprendamos com nossas experiências ! Aprendamos a amar cada vez mais e melhor !

     Paz e Alegria

Fernando

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Bi polar

    É interessante como alguns termos ganham vida e se propagam à velocidade da luz; de um dia para o outro, livros são lançados, palestras são feitas, simpósios acontecem. Foi assim com a psico-pedagogia, inteligência emocional e agora a "bola da vez" é a bi-polaridade. 

     Autores diversos com diferentes teorias: patologia?  Estado temporário? Estado permanente?  Não vamos aqui discutir o âmbito científico, não é minha pretensão de forma alguma, ao contrário, coloco à luz da discussão apenas um novo  viés. Todos os dias, nossa caixa de email é alvo de mensagens e sugestões de cunho emotivo para viver a vida de forma intensa. E viver de forma intensa é investir integralmente, completamente no que se está a fazer. 

     Um momento alegre , por exemplo, é algo bom, ótimo, maravilhoso, espetacular (cada um o sente de um modo). Não vejo razão para não se alegrar ou não se entusiasmar com a vivência. Da mesma forma, um momento triste, é algo doloroso, e que também é experenciado de forma intensa (só quem tem a dor, sabe onde e o quanto dói, seja ela física ou emocional). A dúvida então fica: como aprender com isso? Tenho eu de ser frio, tanto na dor quanto no amor, assim o sofrimento é menor? Alguém me falaria: "Você tem de elaborar seus sentimentos de forma equilibrada!" Fantástico! Porém, pergunto: como atingir o equilíbrio sem se conhecer os limites (larguei da matemática, mas ela não me larga) ? E os limites são também variáveis de pessoa a pessoa. Por exemplo, a temperatura da água do chuveiro  "gostosa" para ela é insuportavelmente quente para mim. 

     Nesse sentido da busca do equilíbrio, quero ser bi polar sim, preciso  ser;  preciso conhecer meus limites. E, com certeza, o melhor momento para a derivação  (olha ela aí de novo) é nos relacionamentos. Além de conhecer nossos limites, lidamos com os limites do outro, derivação composta (impossível viver sem ela). Mas há de se ter cuidado: uma coisa sou eu conhecer meus limites, a outra é alguém, ou algo,  colocar sempre meus limites à prova, pois toda vez que se tende ao limite cria-se uma zona de desconforto (ninguém gosta de se sentir desconfortável, pode até acostumar-se com uma situação, mas isso implica imposição, coerção e um dia acaba de forma dolorida ou não, mas acaba). Relacionar-se  é, inclusive, gerir e gerar prazer,  aprender junto,  rir e chorar,  brigar por e nunca brigar com, recolher-se e  colocar-se em evidência, desmistificar tradições e criar novos paradigmas, edificar.

    Uma pessoa equilibrada não é aquela que vive em corda bamba, ao contrário, é quem tem os 2 pés firmes no chão, e que, em momentos de desequilíbrio,  consegue, mesmo caindo,  levantar e seguir seu caminho. Os estados de euforia e depressão alternados nada mais são que um caminho. A  problemática, então,  encontra-se quando são ultrapassados os limites ou seja: viver na euforia constante ou estar sempre deprimido.

     Não coloco minha prática, minha vivência como receita de bolo, faz que dá certo, ao contrário, descubra seu próprio caminhar. Minha realidade  bi polar hoje é  consciente (tenho meus momentos de euforia e meus momentos de melancolia), mas vejo a vida SEMPRE de forma otimista, quero SEMPRE  o bem (de todos). Concordo com Lennon quando diz viver num mundo sem céu nem inferno com todas as pessoas  vivendo  uma irmandade.

     Paz e Alegria

Fernando



    

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Amar com Liberdade

      O nascer, envelhecer, morrer são fases de um todo. Cada um de nós tem sua história, seus medos, suas habilidades. Encontramos várias pessoas em nossa jornada, que nos acompanham: algumas por pouco tempo, outras não; algumas nem chegamos a reparar direito na fisionomia, outras um simples terçol, um simples penteado novo faz toda a diferença.

     Perceber a vida é sentir cada gesto, cada palavra de quem se ama. As alegrias, as angústias fazem parte  e a satisfação maior é saber que temos alguém para dividir. Com alguns podemos dividir pequenos frascos de nosso aroma, mas a essência de nosso perfume, somente com quem nos descobrimos, com quem nos traz a bondade e a alegria, seja nos melhores, seja nos piores momentos.

     Ir ao encontro dessa pessoa significa, muitas vezes,  ir de encontro a tabus, imposições sociais, costumes e tradições. Medo é contra-sinônimo, é antítese de AMOR. Amar-se é se permitir ousar, é se permitir caminhar, é se permitir (verbo intransitivo).

    Amar alguém é permitir que a pessoa faça parte da vida da gente; faça parte do mundo usando da nossa própria ótica. É, também, entender o outro com suas limitações e junto a ele construir, edificar e quebrar tais grilhões.

    Sentir-se amado  é  viver com  leveza de alma e com responsabilidade no coração. Ser amado é sentir-se protegido,  é viver de "peito aberto". É o tomar sorvete num dia ensolarado ou o tomar  chocolate quente num dia muito frio, é , apenas e completamente, simplicidade. 

     Que me perdoem os cientistas, mas quem determina esse âmago  é o coração. E a questão não é dar ou não ouvidos a ele: é vivê-lo, incondicionalmente, absolutamente.  Alguns podem até dizer: "Ah, mas eu quebrei a cara fazendo isso..." ou "Não quero mais sofrer". Ninguém "quebra a cara", o que na verdade acontece é que afastamos da gente aquele (a) que não nos merece, afastamos da gente um falso profeta. Dói? Claro e é bom que doa mesmo, pois são com os tombos que, como Fênix,  ressurgimos das cinzas e novamente voltamos à vida. Sofrimento é inevitável, pois se nos isolamos, sofremos inclusive com nosso isolamento.

     Recorro então à Cecília Meireles: '...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda...'. Esse é o espírito do AMOR. Amar com liberdade, com entusiasmo, com sabedoria. Somos todos, sem exceção,  livres para amar.

Paz e Alegria

Fernando

sábado, 19 de novembro de 2011

Confiança Perdida

     Comprando um presente numa loja, quando escuto a seguinte frase proferida por uma moça talvez 19, 20 anos: "Minha mãe perdeu a confiança em mim!" Paguei a mercadoria e fui embora  ruminando essa frase. Como alguém perde a confiança em outro? O que realmente está por trás desta assertiva? Se isso acontece, é para o todo sempre?  Como pai tenho eu o direito de perder a confiança em meus filhos?

     Parece-me uma saga tal situação. Perder a confiança significa estar mais distante daquele (a) que amamos. O desencadeamento de um processo vicioso: quanto maior a angústia, maior o distanciamento; quanto maior o distanciamento, menor a confiança; quanto menor a confiança, maior a angústia.

     É preciso quebrar essa corrente. Palavras não são suficientes, ajudam mas não bastam. O foco não está no problema em si. O foco é o que desejamos em nossos relacionamentos. Medo de enfrentar situações é algo real, mas admitir a possibilidade do acordo é o fundamental. Se palavras não bastam, devemos partir para a ação; ter atitude perante à vida. E a vida sempre nos coloca novas oportunidades para acordar com quem amamos. As situações são recorrentes até no dia em que a "nossa ficha cai", e mudamos o comportamento perante os fatos.

     Moral e ética têm de andar lado a lado. O voar só é possivel com no mínimo duas asas: o voar a vida tem por asas o conhecimento e a prática. Conhecer, saber, descobrir é uma parte do processo;  a outra é vivenciar, experenciar e agir. 

    Sejamos quem somos, com essência, com magnitude e com Verdade.

Paz e Alegria

Fernando

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Meu melhor, meu pior

Ela me disse:
_ Sou muito chata, quando na tpm fico insuportável, nem eu mesma me aguento! Não queira namorar comigo, pois sou muito complicada, nem chegue perto.
Eu respondi:
_ Meu bem, se eu não der conta de sua insuportabilidade, de suas chatices, de seu pior momento, por que eu vou merecer o seu melhor?

Por muitas vezes enxergamo-nos e aos outros como fragmentos. Como se pudéssemos existir em vários momentos distintos: eu profissional, eu dono de casa, eu pai, eu filho... Ninguém é um computador que possa ser desfragmentado (aliás, tenho pavor desta palavra). Somos um pacote completo com emoções, com sentimentos, atribuições e papéis. Expressões do tipo: “quando entro pela porta deixo todos os meus problemas lá fora” são inverídicas, inapropriadas digo até. Sou quem sou indiferentemente do papel que eu exerço, mesmo que momentaneamente.

Quando se estabelece uma relação, temos de estar cientes de que o outro sempre tem momentos de altos e baixos, assim como nós. Para apreciar os momentos bons temos de ser dignos deles. Conviver (viver com) é perceber as nuances, os momentos delicados e harmonizá-los. Se quero desfrutar o que o outro tem de bom, preciso eu de entender, aconchegar e absorver quando nos momentos ruins, é aí que me torno merecedor, que me torno íntegro e íntimo do outro.

A relação somente baseada nos risos é falsa, é insonsa. As lágrimas nos são necessárias; são elas que solificam o sentimento de amor. O apoiar-se, o compartilhar, o se conectar são o concreto da construção a dois. Estabelecer um vínculo amoroso é então pegar o “pacote completo” sem deixar nada de fora e aprender com o todo a construir e fazer parte dele.

Até mesmo nos relacionamentos com quem já foi casado ou viveu como se o fosse. Geralmente das relações há filhos com os quais devemos nos habituar. Os filhos do outro fazem parte da vida do outro e , se quisermos obter uma boa estrutura no relacionamento, eles também farão parte de nossa vida.

A continuação do diálogo acima foi um silêncio seguido de lágrimas de ambas as partes; lágrimas de alegria, de comprometimento, de cumplicidade.

Paz e Alegria.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E agora? O que faço de minha vida?

Em determinado momento nos deparamos com uma situação no mínimo angustiante; a dúvida sobre como seguir adiante: "O que faço da minha vida? " Por que isso acontece? O que me falta para dar continuidade ao meu caminhar? Algumas pessoas têm o dom , o exercício de sempre estar de bem com a vida. O que essas pessoas têm em comum? Qual o diferencial que elas possuem?

Fico percebendo meus filhos em suas diversas etapas de desenvolvimento (11, 17 e 26 anos) e no tanto que são diferentes, cada um em seu momento, cada um com sua habilidade, cada um com sua dificuldade. Situações idênticas com reações e atitudes diferentes. Aquilo que para um é um problemão (estudar, por exemplo), para o outro, é um enorme prazer. A sensibilidade à arte é também distinta. E isso me emociona, me motiva a conhecê-los ainda mais, a participar de suas vidas com maior presença.

Mas a grande  percepção minha foi no tocante aos sonhos e desejos. Todos querem, todos sonham, todos produzem (nem mais , nem menos, na quantidade certa para cada um).

Então é o sonho a mola propulsora. É o sonho o único responsável por fazer com que cada um de nós percorra a jornada, o caminho. Há sonhos menores e maiores, sonhos que são necessários mais de um participante, outros que sonhamos isolados.

Alguma razão faz com que os sonhos de certa forma desapareçam. Na verdade, eles continuam a existir, porém entram em fase de metamorfose, encasulam-se, para em algum momento ser despertados. Quando isso acontece, vem à tona os sentimentos mais profundos, ainda não por nós trabalhados e a angústia perante à vida surge de maneira avassaladora.

A proposta é então a de refletir em um exercício diário. Exercício de reflexão? Sim, um exercício, algo que gaste calorias, tempo, vontade e atitude. Refletir de maneira constante, diária principalmente sobre os sonhos e desejos. Não posso me permitir estacionar no tempo e no espaço. Traçar metas pequenas e diárias para a realização do desejo seja talvez a melhor forma de lidar com a angústia e com a monotonia. 
Paz e Alegria
 
Fernando