quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Metamorfose

     Foram-se anos... Tempo necessário para compreender a si mesma. Sentimentos conturbados, distorcidos, sofrimentos enormes e alegrias tamanhas. Tudo foi necessário; nenhuma vírgula escrita ao acaso (acaso não existe). 
     _ Eu errei muito! Disse-me ela com um penar e uma culpa terrivelmente enraizados no coração. Pergunto-me: _ Erros? Quais? Não há erros, houve escolhas, existiram caminhos tomados. E daí se faríamos diferente hoje ? Na época foram os escolhidos e  certos em nosso discernimento.  Mas é passado ! E se passou, passou. Da mesma forma que não piso em um rio 2 vezes, não posso alterar o que já vivi. Biblicamente já conhecido numa passagem de Ló:  aquele que olhar pra trás transformar-se-á em estátua de sal. O passado é somente referência, nada mais.

     _ Será que vou errar de novo? Agora sim, errou feio. Pois isso é futuro, futuro não me pertence nem a você! Se não posso viver o passado, muito menos o futuro! É querer segurar areia com a mão; escorre pelos dedos... 

     Resta-me apenas o agora; nem mais nem menos. É hoje o dia de minha transformação. É hoje que quebro as correntes e com a cara escancarada, sob a fúria do vento, com a alegria na alma,  desencasulo-me para a vida! Querem minha companhia? Segurem minha mão e voaremos juntos. Não estão prontos? Batam palmas e assistam meu vôo.

     E ela então se fez mulher e compreendeu o valor de ser livre, de ser feliz. Unir-se a quem lhe dá prazer, mas que também lhe dá afeto: a toalha quente, o abraço! Desejos animalescos entremeados a toques sutis... Morre o ontem, o antigo, a comodidade. Surge o instante,  a liberdade.

     É agora borboleta que estica as asas ao sol e começa suas primeiras aulas de aviação. Que voa ao sabor do vento e descansa no jardim que lhe convém. E que enxerga as coisas de cima. Isso é fantástico, ganhou verticalidade e consegue perceber todas as nuances de cores e de flores.

     E a partir desta comunhão de idéias e pensamentos, só há uma possibilidade: a de voar junto; de bater asas ao mesmo tempo, na mesma velocidade; ganhar o mais alto espaço e o mais baixo rasante; luppings de amor.

    É a construção infinita da vida: recuar,  quando preciso;  avançar,  para se dar continuidade e jamais, jamais  estagnar-se na rotina. O horizonte é o objetivo. Assim como o final do arco-iris.  Que maravilha entregar-se à vida, essa é minha proposta.

  
 Mas se contudo isso, o arriscar é gerador de medo, de receio ou de dúvida, é porque ainda não é borboleta, é tão somente uma lagarta. 

     Paz e Alegria

     Fernando




     
     


    

3 comentários:

  1. O processo de transformação não é fácil... Quando ocorre e nos damos conta do quanto somos guerreiros... Das forças que nos movem e nos mantém vivos, passamos a acreditar em dias melhores, criamos novas oportunidades na vida... E isso é maravilhoso.

    Esse texto me fez lembrar G. Rosa, acho que em Grande Sertão: Veredas - “O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.“

    Beijos, Lu.

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  2. Luciana, tudo a seu tempo em ritmo próprio. Voe, voe alto, você é uma recém borboleta, obrigado pelo carinho.

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