sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Meu melhor, meu pior

Ela me disse:
_ Sou muito chata, quando na tpm fico insuportável, nem eu mesma me aguento! Não queira namorar comigo, pois sou muito complicada, nem chegue perto.
Eu respondi:
_ Meu bem, se eu não der conta de sua insuportabilidade, de suas chatices, de seu pior momento, por que eu vou merecer o seu melhor?

Por muitas vezes enxergamo-nos e aos outros como fragmentos. Como se pudéssemos existir em vários momentos distintos: eu profissional, eu dono de casa, eu pai, eu filho... Ninguém é um computador que possa ser desfragmentado (aliás, tenho pavor desta palavra). Somos um pacote completo com emoções, com sentimentos, atribuições e papéis. Expressões do tipo: “quando entro pela porta deixo todos os meus problemas lá fora” são inverídicas, inapropriadas digo até. Sou quem sou indiferentemente do papel que eu exerço, mesmo que momentaneamente.

Quando se estabelece uma relação, temos de estar cientes de que o outro sempre tem momentos de altos e baixos, assim como nós. Para apreciar os momentos bons temos de ser dignos deles. Conviver (viver com) é perceber as nuances, os momentos delicados e harmonizá-los. Se quero desfrutar o que o outro tem de bom, preciso eu de entender, aconchegar e absorver quando nos momentos ruins, é aí que me torno merecedor, que me torno íntegro e íntimo do outro.

A relação somente baseada nos risos é falsa, é insonsa. As lágrimas nos são necessárias; são elas que solificam o sentimento de amor. O apoiar-se, o compartilhar, o se conectar são o concreto da construção a dois. Estabelecer um vínculo amoroso é então pegar o “pacote completo” sem deixar nada de fora e aprender com o todo a construir e fazer parte dele.

Até mesmo nos relacionamentos com quem já foi casado ou viveu como se o fosse. Geralmente das relações há filhos com os quais devemos nos habituar. Os filhos do outro fazem parte da vida do outro e , se quisermos obter uma boa estrutura no relacionamento, eles também farão parte de nossa vida.

A continuação do diálogo acima foi um silêncio seguido de lágrimas de ambas as partes; lágrimas de alegria, de comprometimento, de cumplicidade.

Paz e Alegria.

10 comentários:

  1. Parabéns, cada vez mais vc mostra a PESSOA MARAVILHOSA QUE É.

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  2. Eu também acredito nisso, Fernando!! Esse texto revela sua alma e essência, que é maravilhosa. Como é bom ler isso!
    Beijos no coração, Lu.

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  3. Parabéns, você é um ser especial, muito bom ler isso.

    bjkas

    Maísa

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  4. Olá Fernando, sou Sônia, esposa de Gabriel e mãe da Luana. Concordo com o comentário da Luciana e digo ainda que seu modo de escrever toca fundo na alma da gente. Abraço.

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  5. Isso é tão maravilho. Um misto de cumplicidade de doação que engrandece o ser.Realmente lindo. Sirlene

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  6. Bom dia Fernando,

    Parece que esse texto foi feito para mim, realidade... Sempre gostei de sua forma de expressar, você tem uma sabedoria indescritível ...

    Abraços

    Lane

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    1. Oi Lane, que bom que vocÊ se sentiu tocada pelas palavras. Fiquei muito feliz, obrigado pelo carinho.

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Sugestões e críticas