domingo, 21 de outubro de 2012

S.O.S




Quem já frequentou Shopping Center com certeza esteve perto de uma Hot Zone. Alguns, como eu, ao ouvir a confusão de ruídos no último grau de altura, saíram correndo.  Uma conversa  na mesa ao lado entre mãe e filho chamou-me a atenção. As personagens eram: mãe, com seus 30, 32 anos, vistosa, bem arrumada, celular última geração nas mãos, preocupadíssima com as mensagens que recebia e filho, criança com seus 6, 7 anos, triste, cansado, também com celular ultra-moderno, tentava chamar a atenção da mãe para o que ocorrera na Hot Zone.

Com a chegada do garção, uma pequena discussão sobre o que será pedido e a batata frita com refrigerante vence a disputa. Novamente o celular em ação e a criança tentando sem êxito obter a atenção da mãe.  Em seguida aparece o pai: 33 a 35 anos, todo de branco (médico ou dentista), beija carinhosamente a esposa e abraça o filho. O celular, neste instante, misteriosamente desaparece da mão da mãe. O filho volta  toda a sua necessidade à figura paterna, que por sua vez também não se interessa pelo teor da conversa.

 Logo em seguida, a criança começa a chorar, baixinho... um fungar quase imperceptível. A mãe toma um susto!

_Fulano, que  que aconteceu? Por que você está chorando?

_ Nada não, mãe, nada não!

_ Claro que é alguma coisa !!!  Fala logo !!! (obs.: aos berros, todo o shopping parou para olhar a cena)
O que era apenas um chorinho transforma-se, com o susto, num choro descontrolado. O pai dá uma “saculejada” no filho e também pergunta sobre o ocorrido. O menino para de  chorar e fica mudo, completamente mudo (nem reza brava faz a criança dizer alguma coisa).

_ Vamos embora agora! – Diz a mãe

_ Eu gastei uma grana para você ficar nos seus joguinhos e agora você fica chorando à toa!?!?!...

Fiquei apreensivo com o fato. Às vezes, tem-se tudo: boa educação, situação financeira estável, bens materiais e nos falta aquilo que nos faz diferente em relação às outras espécies do planeta: a atenção.  Relegamos a um segundo plano o ouvir nossos filhos. Não importa a idade, se mais jovem ou mais velho, nossos filhos têm seus conflitos e necessidades. Às vezes,  pecamo-nos por excesso, tentando entrar na intimidade deles em demasia; por outras, por falta, não lhes dando atenção.

E não importa se o conflito é “coisa pouca” ou não:  é conflito! Um obstáculo no caminho pode ser uma simples pedra para uma pessoa e uma enorme rocha para outra. Drumond que o diga. 

Paz e Alegria

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