Quem já
frequentou Shopping Center com certeza esteve perto de uma Hot Zone. Alguns, como eu, ao ouvir a
confusão de ruídos no último grau de altura, saíram correndo. Uma conversa na mesa ao lado entre mãe e filho chamou-me a
atenção. As personagens eram: mãe, com seus 30, 32 anos, vistosa, bem arrumada,
celular última geração nas mãos, preocupadíssima com as mensagens que recebia e
filho, criança com seus 6, 7 anos, triste, cansado, também com celular
ultra-moderno, tentava chamar a atenção da mãe para o que ocorrera na Hot Zone.
Com a chegada
do garção, uma pequena discussão sobre o que será pedido e a batata frita com
refrigerante vence a disputa. Novamente o celular em ação e a criança tentando
sem êxito obter a atenção da mãe. Em
seguida aparece o pai: 33 a 35 anos, todo de branco (médico ou dentista), beija
carinhosamente a esposa e abraça o filho. O celular, neste instante,
misteriosamente desaparece da mão da mãe. O filho volta toda a sua necessidade à figura paterna, que
por sua vez também não se interessa pelo teor da conversa.
Logo em seguida, a criança começa a chorar,
baixinho... um fungar quase imperceptível. A mãe toma um susto!
_Fulano, que que aconteceu? Por que você está chorando?
_ Nada não,
mãe, nada não!
_ Claro que é
alguma coisa !!! Fala logo !!! (obs.:
aos berros, todo o shopping parou para olhar a cena)
O que era
apenas um chorinho transforma-se, com o susto, num choro descontrolado. O pai
dá uma “saculejada” no filho e também pergunta sobre o ocorrido. O menino para
de chorar e fica mudo, completamente
mudo (nem reza brava faz a criança dizer alguma coisa).
_ Vamos embora
agora! – Diz a mãe
Fiquei apreensivo
com o fato. Às vezes, tem-se tudo: boa educação, situação financeira estável,
bens materiais e nos falta aquilo que nos faz diferente em relação às outras
espécies do planeta: a atenção. Relegamos a um segundo plano o ouvir nossos
filhos. Não importa a idade, se mais jovem ou mais velho, nossos filhos têm
seus conflitos e necessidades. Às vezes, pecamo-nos por excesso, tentando entrar na
intimidade deles em demasia; por outras, por falta, não lhes dando atenção.
E não importa
se o conflito é “coisa pouca” ou não: é
conflito! Um obstáculo no caminho pode ser uma simples pedra para uma pessoa e
uma enorme rocha para outra. Drumond que o diga.
Paz e Alegria

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