Ontem recebi um presente maravilhoso, algo que nem imaginei ainda existir. Compacta, simples, detentora de tantos sentimentos, de tantas habilidades... Feita de papel, portanto frágil... qualquer descuido e acabou-se. Apesar de lidar com ela em meu cotidiano, não sabia da sua existência pessoal. Estou falando de uma CARTA.
Poderia ter sido e-mail, mensagem instantânea de celular, fax, rede social, mas não, uma CARTA. Alguém teve o carinho de procurar um papel de carta (daqueles que a gente colecionava... bons tempos) e deslizar sobre ele uma caneta como se uma bailarina do Teatro Municipal fosse: fazendo rodopios, linhas, saltos, pontos e contra-pontos.
A individualidade se fez presente: não era arial, nem times new roman; era a letra essencial, com suas nuances e marcas próprias, o que mostra o zelo, o apreço que tiveram para comigo. Havia inclusive uma rasura... q coisa sensacional, a pessoa mostrou-se como é: com erros, tropeços e não mascarada por um corretor ortográfico. Uma sutil diferença entre ser e existir (Shakespeare).
O que queremos em nossas vidas nada mais é do que isso: uma pessoa que possa se mostrar e para quem possamos nos mostrar também, não o imaginário ou a ficção, mas o real e o autêntico. Sair do mecanicismo e enveredar pelo manufaturar da relação. É fácil observar como estamos mecânicos e robotizados:
1. Restaurante na hora do almoço: sempre alguém atende ou faz ligação pelo celular durante o almoço;
2. Happy hour: é possível ver mesas onde as pessoas estão ligadas na net sem prestarem atenção aos amigos na mesa;
3. Padaria: várias são as pessoas que vão à esquina de casa comprar pão e utilizam-se do carro;
4. Motorista: todos nós , em algum momento, estamos dirigindo com o celular na mão;
5. Escritores: já nos esquecemos de usar as palavras, mal sabemos a grafia delas (vc, blz, fds);
6. Babá eletrônica: a tv (que agora tem de ser de led ou Plasma) é o "tomador de conta" de nossos filhos;
7. Escola: o uso de calculadoras é cada vez mais permissível;
8. Escola 2: o uso de tablets no lugar de cadernos.
Sabemos da vanguarda, da necessidade da evolução, mas percebo-me de maneira estranha a tais modificações. Para quem já nasce neste período, convivendo desde cedo, é tudo normal. E talvez seja mesmo. Não estou julgando absolutamente nada. Apenas posiciono-me a respeito destas novas concepções. Nossas brincadeiras eram na rua, todos conheciam nossos pais, onde morávamos, quem éramos. A vizinhança se reunia em frente às casas... tomávamos café juntos: broa de fubá, pães de queijo quentinhos, a boa e velha limonada... Beber água era na mangueira: nunca ninguém ficou doente por causa disso.
Vejamos, por exemplo, as construções. Éramos cercados por casas, todas do mesmo estilo e com os portões baixinhos, pequenininhos. O tempo passou, os muros cada vez mais altos, fios elétricos por cima deles, rolos de arame farpado (verdadeiras casamatas)... já não há casas; no lugar, prédios...imensos... dezenas de pessoas umas sobre as outras e completamente alheias aos vizinhos. Por isso minha opção de morar numa cidade pacata, tranquila, sem violência
Chega de saudosismo: este mundo ainda continua lindo, recheado de coisa bonita e, principalmente, com pessoas maravilhosas de corações abertos ao próximo.
Paz e Alegria.
Vejamos, por exemplo, as construções. Éramos cercados por casas, todas do mesmo estilo e com os portões baixinhos, pequenininhos. O tempo passou, os muros cada vez mais altos, fios elétricos por cima deles, rolos de arame farpado (verdadeiras casamatas)... já não há casas; no lugar, prédios...imensos... dezenas de pessoas umas sobre as outras e completamente alheias aos vizinhos. Por isso minha opção de morar numa cidade pacata, tranquila, sem violência
Paz e Alegria.
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