Amanhã, 8 de dezembro, nossos corações uma vez mais se entristecem: John Lennon. Data para ser esquecida, não ser lembrada pois soa como uma batalha sangrenta; um pedaço da humanidade que foi dilacerado por um artefato de chumbo disparado de um revólver. As manchetes em todos os jornais foram: E O SONHO ACABOU.
Qual sonho? A volta dos Beatles? Gosto muito do conjunto, queria, como todos, vê-los novamente juntos. Mas não era esse o sonho. Isso é muito pouco! O verdadeiro sonho era vê-los, Yoko e Lennon, realmente mudando o mundo; transformando-o em uma irmandade, sem céu nem inferno... (Imagine). A ele adicionamos os sonhos de Martin Luther King, Ghandi, Chico Xavier, Madre Tereza e tantos outros homens e mulheres que com suas mãos, pensamentos e coragem transformaram o mundo pelo exemplo do amor.
Faz falta sim, o grande amor na vida da gente nos falta! Aquele com quem queremos modificar o mundo! E quando o encontramos, nossas energias são imediatamente revigoradas; os corações batem em velocidade inverossímil; as pupilas se dilatam para que possamos melhor enxergar o ser amado. E toda uma transformação (sempre para melhor) nos acomete; desafios são encarados de modo ingênuo; construímos rotas mais desbravadoras que a dos bandeirantes; nada nos separa de nosso objetivo.
Dalai Lama nos escreve: "Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar." Tão simples, mas muitas vezes é nosso orgulho que não permite o voo do outro; é nossa maneira volúvel de ser que não proporciona ao outro fixar raízes; são nossos ciúmes nos afastam cada dia mais.
Às vezes escutamos: "Ora, mas eu amo! E o meu amor é o melhor do mundo!" Pura arrogância !!! Quem disse que o meu amor é o melhor do mundo? Pode ser pra mim, mas não necessariamente para o outro. E não é questão de o outro menosprezar nosso amor, não. É simples a equação. O meu melhor pode não ser suficiente: se há incerteza, não é suficiente; se há medo, não é suficiente. Não adianta nada eu "enfiar" na cabeça dela minhas qualidades, o que sinto, como lhe sou bom, como lhe sou especial, como lhe quero somente o bem, como sou inteligente, como sou "bom cozinheiro": nada disso importa! É ela, é o coração dela, quem decide, e cabe a mim apenas a resignação: se a decisão for por mim, tenho uma responsabilidade enorme de manter e de aumentar o nível do relacionamento, de envolvimento; se a decisão não for por mim, minha vida continua e a dela também.
E o que fazer se a decisão for contrária às minhas expectativas? E o que fazer agora que o sonho acabou? Nada, apenas Viver, sonhar novamente! Claro que há tristeza, há sofrimento e muito, mas a vida nos exige constante aprimoramento. Compreendemos que ainda sempre estamos muito longe do ser ideal (estamos no caminho). Somos ainda (pois chegará o dia que não seremos mais) muito incompetentes para amar e para ser amados. E que a vida é maravilhosa, pois nos permite sempre nos modificar e crescer. O Poeta já dizia: "Pedras no caminho, guardo todas... um dia vou construir um castelo". Aprendamos com nossas experiências ! Aprendamos a amar cada vez mais e melhor !
Paz e Alegria
Fernando

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