segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vivendo a Km/h



"Oi, Fernando, tudo bem? Fulano está morando em ____ desde  maio e eu não sei mais o que fazer...

Recebi este email de uma amiga sobre o qual baseio-me essa reflexão:  A Distância ! É certo que a vida nos conduz a caminhos que por vezes vêm de encontro aos nossos pensamentos. Quem ama quer o ser amado próximo, o estar perto. Por questões de trabalho, por exemplo, casais ficam momentaneamente separados, como é o caso acima. Como lidar com isso? Como atender às nossas necessidades sendo que o parceiro(a) não está ao nosso lado? Que tipo de relacionamento é este?

Quando é o filho quem sai de casa para seguir sua jornada há uma certa facilidade para "acostumarmos" o coração a esse desafio. Mais cedo ou mais tarde, eles, os filhos, lançar-se-ão ao mundo, constituindo seus próprios alicerces. Por mais que essa separação em alguns casos possa ser doída, ela é natural. A internet e suas diversidades (câmeras, emails, redes sociais) podem amenizar e reduzir muito a distãncia, isso é muito legal ! É um caminho de encurtamento e de estreitamento das relações. Válido para todos os casos.

Mas quando se trata de relacionamento de casal a situação é bem outra. Claro que a internet ameniza, mas falta o dia-a-dia; falta a comunicação do toque, do beijo e do abraço; a cumplicidade do co-existir. No caso acima, o que preponderou à saída do esposo foi a questão financeiro-profissional. E trabalho é essencial! Deve-se fazer mesmo algum sacrifício pelo trabalho, afinal é ele quem nos proporciona viver. Casamento é superar dificuldades, mas a que preço? 

A distância que separa é a mesma que aproxima. Como assim? O mesmo fator, distância, pode ser interpretado como a estagnação de uma relação ou como a razão de ela existir. Em outras palavras, pode-se entregar sem luta alguma pelo fato de se estar separado ou pode-se lutar e criar forças para reduzir a distância sob todas as formas. Então o problema, na verdade, não é a distância e, sim, o Tempo. Tempo????  Precisa-se definir quanto tempo será disponibilizado para a distância não mais existir. E tempo é relativo: um segundo é tempo demais para quem foi medalha de prata na olimpíada e tempo de menos para quem está lendo um livro. É um acordo entre as partes: estipular o tempo necessário para a situação ser definida. E se o tempo não for acordado, as metas estipuladas e vencidas o sofrimento é certo e a relação vai se desintegrar; não por falta de amor, mas por ele próprio. Viver de expectativa é morrer encarnando Tício


Seja qual for o motivo: trabalho, viagem, loucura ou necessidade o tempo deve sempre ser levado em consideração para a realização do grande sonho: conviver !

Paz e Alegria

domingo, 21 de outubro de 2012

S.O.S




Quem já frequentou Shopping Center com certeza esteve perto de uma Hot Zone. Alguns, como eu, ao ouvir a confusão de ruídos no último grau de altura, saíram correndo.  Uma conversa  na mesa ao lado entre mãe e filho chamou-me a atenção. As personagens eram: mãe, com seus 30, 32 anos, vistosa, bem arrumada, celular última geração nas mãos, preocupadíssima com as mensagens que recebia e filho, criança com seus 6, 7 anos, triste, cansado, também com celular ultra-moderno, tentava chamar a atenção da mãe para o que ocorrera na Hot Zone.

Com a chegada do garção, uma pequena discussão sobre o que será pedido e a batata frita com refrigerante vence a disputa. Novamente o celular em ação e a criança tentando sem êxito obter a atenção da mãe.  Em seguida aparece o pai: 33 a 35 anos, todo de branco (médico ou dentista), beija carinhosamente a esposa e abraça o filho. O celular, neste instante, misteriosamente desaparece da mão da mãe. O filho volta  toda a sua necessidade à figura paterna, que por sua vez também não se interessa pelo teor da conversa.

 Logo em seguida, a criança começa a chorar, baixinho... um fungar quase imperceptível. A mãe toma um susto!

_Fulano, que  que aconteceu? Por que você está chorando?

_ Nada não, mãe, nada não!

_ Claro que é alguma coisa !!!  Fala logo !!! (obs.: aos berros, todo o shopping parou para olhar a cena)
O que era apenas um chorinho transforma-se, com o susto, num choro descontrolado. O pai dá uma “saculejada” no filho e também pergunta sobre o ocorrido. O menino para de  chorar e fica mudo, completamente mudo (nem reza brava faz a criança dizer alguma coisa).

_ Vamos embora agora! – Diz a mãe

_ Eu gastei uma grana para você ficar nos seus joguinhos e agora você fica chorando à toa!?!?!...

Fiquei apreensivo com o fato. Às vezes, tem-se tudo: boa educação, situação financeira estável, bens materiais e nos falta aquilo que nos faz diferente em relação às outras espécies do planeta: a atenção.  Relegamos a um segundo plano o ouvir nossos filhos. Não importa a idade, se mais jovem ou mais velho, nossos filhos têm seus conflitos e necessidades. Às vezes,  pecamo-nos por excesso, tentando entrar na intimidade deles em demasia; por outras, por falta, não lhes dando atenção.

E não importa se o conflito é “coisa pouca” ou não:  é conflito! Um obstáculo no caminho pode ser uma simples pedra para uma pessoa e uma enorme rocha para outra. Drumond que o diga. 

Paz e Alegria

sábado, 13 de outubro de 2012

A CARTA

          Ontem recebi um presente maravilhoso, algo que nem imaginei ainda existir. Compacta, simples, detentora de tantos sentimentos, de tantas habilidades... Feita de papel, portanto frágil... qualquer descuido e acabou-se. Apesar de lidar com ela em meu cotidiano, não sabia da sua existência pessoal. Estou falando de uma CARTA.

          Poderia ter sido e-mail, mensagem instantânea de celular, fax, rede social, mas não, uma CARTA. Alguém teve o carinho de procurar um papel de carta (daqueles que a gente colecionava... bons tempos) e deslizar sobre ele uma caneta como se uma bailarina do Teatro Municipal fosse: fazendo rodopios, linhas, saltos, pontos e contra-pontos. 

          A individualidade se fez presente: não era arial, nem times new roman; era a letra essencial, com suas nuances e marcas próprias, o que mostra o zelo, o apreço que tiveram para comigo.  Havia inclusive uma rasura... q coisa sensacional, a pessoa mostrou-se como é: com erros, tropeços e não mascarada por um corretor ortográfico. Uma sutil diferença entre ser e existir (Shakespeare). 

          O que queremos em nossas vidas nada mais é do que isso: uma pessoa que possa se mostrar e para quem possamos nos mostrar também, não o imaginário ou a ficção, mas o real e o autêntico. Sair do mecanicismo e enveredar pelo manufaturar da relação. É fácil observar como estamos mecânicos e robotizados:

1. Restaurante na hora do almoço: sempre alguém atende ou faz ligação pelo celular durante o almoço;

2. Happy hour: é possível ver mesas onde as pessoas estão ligadas na net sem prestarem atenção aos amigos na mesa;

3. Padaria: várias são as pessoas que vão à esquina de casa comprar pão e utilizam-se do carro;

4. Motorista: todos nós , em algum momento, estamos dirigindo com o celular na mão;

5. Escritores: já nos esquecemos de usar as palavras, mal sabemos a grafia delas (vc, blz, fds);

6. Babá eletrônica: a tv (que agora tem de ser de led ou Plasma) é o "tomador de conta" de nossos filhos;

7. Escola: o uso de calculadoras é cada vez mais permissível;

8. Escola 2: o uso de tablets no lugar de cadernos.

          Sabemos da vanguarda, da necessidade da evolução, mas percebo-me de maneira estranha a tais modificações. Para quem já nasce neste período, convivendo desde cedo,  é tudo normal. E talvez seja mesmo. Não estou julgando absolutamente nada. Apenas posiciono-me a respeito destas novas concepções. Nossas brincadeiras eram na rua, todos conheciam nossos pais, onde morávamos, quem éramos. A vizinhança se reunia em frente às casas... tomávamos café juntos: broa de fubá, pães de queijo quentinhos, a boa e velha limonada... Beber água era na mangueira: nunca ninguém ficou doente por causa disso. 

          Vejamos, por exemplo, as construções. Éramos cercados por casas, todas do mesmo estilo e com os portões baixinhos, pequenininhos. O tempo passou, os muros cada vez mais altos, fios elétricos por cima deles, rolos de arame farpado (verdadeiras casamatas)... já não há casas; no lugar, prédios...imensos... dezenas de pessoas umas sobre as outras e completamente alheias aos vizinhos. Por isso minha opção de morar numa cidade pacata, tranquila, sem violência



          Chega de saudosismo: este mundo ainda continua lindo, recheado de coisa bonita e, principalmente,  com pessoas maravilhosas de corações abertos ao próximo. 

Paz e Alegria.