sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Saudade

          Dizem que a palavra SAUDADE é única da Língua Portuguesa; nenhuma outra define o termo. Não concordo! No inglês temos pain; dolor em espanhol;  douleur em francês; Schmerz, alemão e todas as demais línguas definem muito bem o sentimento SAUDADE, o sentimento DOR. 

          A dor, sim, é única e cada um a sente à sua maneira e intensidade. Toda saudade significa ausência: seja da pessoa, seja de momentos vividos... ausência dói e dói muito. Muito mais fácil absorver uma dor física a uma dor sentimental. Quando alguém nos desaponta,  o mundo se abre num buraco sem fundo. E sempre vamos ser desapontados e vamos desapontar alguém. Se amamos e não podemos juntos estar (seja pelo motivo que for), sofremos de amor, o coração se rasga. Impossível, por exemplo, fazer compras num supermercado e passar desapercebidamente por uma prateleira que tenha algo do gosto de quem sentimos saudade. É mecânico, é automático. Algumas pessoas não concordarão com o que escrevo por um simples motivo: são pessoas que não conseguiram encontrar, ou melhor, sintonizar o AMOR; são por conseguinte, pessoas mais ásperas, mais secas cujas atitudes estão direcionadas a outros,  e também não menos importantes, valores.  Mas o artigo de hoje está direcionado àqueles que perceberam o lance do supermercado. 

          E a "coisa" é tão forte, que se a grana está escassa, tiramos algo do carrinho para colocar o "produto" do outro no lugar. Meu filho  Felipe, por exemplo,  mora fora do país e temos mais de 4 anos que não nos vemos pessoalmente. Além da internet e do telefone, nossos canais de comunicação, tenho sempre em minha despensa  um pacote de lentilha;  pois sei que é do agrado dele e só a visão do pacote já me remete ao prazer de vê-lo comendo. E inúmeros são outros exemplos... Até kani, que eu não como, tenho sempre em meu congelador.  


          E são essas pequenas lembranças que aquecem nossos corações; que nos dão a certeza do continuar o caminho. Não quero a pessoa mais linda do mundo, quero apenas estar com quem me faz ver o mundo de maneira mais bonita... mais colorido e mais preto e branco (o riso e a lágrima) ... com amor. 

Paz e Alegria !



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vivendo a Km/h



"Oi, Fernando, tudo bem? Fulano está morando em ____ desde  maio e eu não sei mais o que fazer...

Recebi este email de uma amiga sobre o qual baseio-me essa reflexão:  A Distância ! É certo que a vida nos conduz a caminhos que por vezes vêm de encontro aos nossos pensamentos. Quem ama quer o ser amado próximo, o estar perto. Por questões de trabalho, por exemplo, casais ficam momentaneamente separados, como é o caso acima. Como lidar com isso? Como atender às nossas necessidades sendo que o parceiro(a) não está ao nosso lado? Que tipo de relacionamento é este?

Quando é o filho quem sai de casa para seguir sua jornada há uma certa facilidade para "acostumarmos" o coração a esse desafio. Mais cedo ou mais tarde, eles, os filhos, lançar-se-ão ao mundo, constituindo seus próprios alicerces. Por mais que essa separação em alguns casos possa ser doída, ela é natural. A internet e suas diversidades (câmeras, emails, redes sociais) podem amenizar e reduzir muito a distãncia, isso é muito legal ! É um caminho de encurtamento e de estreitamento das relações. Válido para todos os casos.

Mas quando se trata de relacionamento de casal a situação é bem outra. Claro que a internet ameniza, mas falta o dia-a-dia; falta a comunicação do toque, do beijo e do abraço; a cumplicidade do co-existir. No caso acima, o que preponderou à saída do esposo foi a questão financeiro-profissional. E trabalho é essencial! Deve-se fazer mesmo algum sacrifício pelo trabalho, afinal é ele quem nos proporciona viver. Casamento é superar dificuldades, mas a que preço? 

A distância que separa é a mesma que aproxima. Como assim? O mesmo fator, distância, pode ser interpretado como a estagnação de uma relação ou como a razão de ela existir. Em outras palavras, pode-se entregar sem luta alguma pelo fato de se estar separado ou pode-se lutar e criar forças para reduzir a distância sob todas as formas. Então o problema, na verdade, não é a distância e, sim, o Tempo. Tempo????  Precisa-se definir quanto tempo será disponibilizado para a distância não mais existir. E tempo é relativo: um segundo é tempo demais para quem foi medalha de prata na olimpíada e tempo de menos para quem está lendo um livro. É um acordo entre as partes: estipular o tempo necessário para a situação ser definida. E se o tempo não for acordado, as metas estipuladas e vencidas o sofrimento é certo e a relação vai se desintegrar; não por falta de amor, mas por ele próprio. Viver de expectativa é morrer encarnando Tício


Seja qual for o motivo: trabalho, viagem, loucura ou necessidade o tempo deve sempre ser levado em consideração para a realização do grande sonho: conviver !

Paz e Alegria

domingo, 21 de outubro de 2012

S.O.S




Quem já frequentou Shopping Center com certeza esteve perto de uma Hot Zone. Alguns, como eu, ao ouvir a confusão de ruídos no último grau de altura, saíram correndo.  Uma conversa  na mesa ao lado entre mãe e filho chamou-me a atenção. As personagens eram: mãe, com seus 30, 32 anos, vistosa, bem arrumada, celular última geração nas mãos, preocupadíssima com as mensagens que recebia e filho, criança com seus 6, 7 anos, triste, cansado, também com celular ultra-moderno, tentava chamar a atenção da mãe para o que ocorrera na Hot Zone.

Com a chegada do garção, uma pequena discussão sobre o que será pedido e a batata frita com refrigerante vence a disputa. Novamente o celular em ação e a criança tentando sem êxito obter a atenção da mãe.  Em seguida aparece o pai: 33 a 35 anos, todo de branco (médico ou dentista), beija carinhosamente a esposa e abraça o filho. O celular, neste instante, misteriosamente desaparece da mão da mãe. O filho volta  toda a sua necessidade à figura paterna, que por sua vez também não se interessa pelo teor da conversa.

 Logo em seguida, a criança começa a chorar, baixinho... um fungar quase imperceptível. A mãe toma um susto!

_Fulano, que  que aconteceu? Por que você está chorando?

_ Nada não, mãe, nada não!

_ Claro que é alguma coisa !!!  Fala logo !!! (obs.: aos berros, todo o shopping parou para olhar a cena)
O que era apenas um chorinho transforma-se, com o susto, num choro descontrolado. O pai dá uma “saculejada” no filho e também pergunta sobre o ocorrido. O menino para de  chorar e fica mudo, completamente mudo (nem reza brava faz a criança dizer alguma coisa).

_ Vamos embora agora! – Diz a mãe

_ Eu gastei uma grana para você ficar nos seus joguinhos e agora você fica chorando à toa!?!?!...

Fiquei apreensivo com o fato. Às vezes, tem-se tudo: boa educação, situação financeira estável, bens materiais e nos falta aquilo que nos faz diferente em relação às outras espécies do planeta: a atenção.  Relegamos a um segundo plano o ouvir nossos filhos. Não importa a idade, se mais jovem ou mais velho, nossos filhos têm seus conflitos e necessidades. Às vezes,  pecamo-nos por excesso, tentando entrar na intimidade deles em demasia; por outras, por falta, não lhes dando atenção.

E não importa se o conflito é “coisa pouca” ou não:  é conflito! Um obstáculo no caminho pode ser uma simples pedra para uma pessoa e uma enorme rocha para outra. Drumond que o diga. 

Paz e Alegria

sábado, 13 de outubro de 2012

A CARTA

          Ontem recebi um presente maravilhoso, algo que nem imaginei ainda existir. Compacta, simples, detentora de tantos sentimentos, de tantas habilidades... Feita de papel, portanto frágil... qualquer descuido e acabou-se. Apesar de lidar com ela em meu cotidiano, não sabia da sua existência pessoal. Estou falando de uma CARTA.

          Poderia ter sido e-mail, mensagem instantânea de celular, fax, rede social, mas não, uma CARTA. Alguém teve o carinho de procurar um papel de carta (daqueles que a gente colecionava... bons tempos) e deslizar sobre ele uma caneta como se uma bailarina do Teatro Municipal fosse: fazendo rodopios, linhas, saltos, pontos e contra-pontos. 

          A individualidade se fez presente: não era arial, nem times new roman; era a letra essencial, com suas nuances e marcas próprias, o que mostra o zelo, o apreço que tiveram para comigo.  Havia inclusive uma rasura... q coisa sensacional, a pessoa mostrou-se como é: com erros, tropeços e não mascarada por um corretor ortográfico. Uma sutil diferença entre ser e existir (Shakespeare). 

          O que queremos em nossas vidas nada mais é do que isso: uma pessoa que possa se mostrar e para quem possamos nos mostrar também, não o imaginário ou a ficção, mas o real e o autêntico. Sair do mecanicismo e enveredar pelo manufaturar da relação. É fácil observar como estamos mecânicos e robotizados:

1. Restaurante na hora do almoço: sempre alguém atende ou faz ligação pelo celular durante o almoço;

2. Happy hour: é possível ver mesas onde as pessoas estão ligadas na net sem prestarem atenção aos amigos na mesa;

3. Padaria: várias são as pessoas que vão à esquina de casa comprar pão e utilizam-se do carro;

4. Motorista: todos nós , em algum momento, estamos dirigindo com o celular na mão;

5. Escritores: já nos esquecemos de usar as palavras, mal sabemos a grafia delas (vc, blz, fds);

6. Babá eletrônica: a tv (que agora tem de ser de led ou Plasma) é o "tomador de conta" de nossos filhos;

7. Escola: o uso de calculadoras é cada vez mais permissível;

8. Escola 2: o uso de tablets no lugar de cadernos.

          Sabemos da vanguarda, da necessidade da evolução, mas percebo-me de maneira estranha a tais modificações. Para quem já nasce neste período, convivendo desde cedo,  é tudo normal. E talvez seja mesmo. Não estou julgando absolutamente nada. Apenas posiciono-me a respeito destas novas concepções. Nossas brincadeiras eram na rua, todos conheciam nossos pais, onde morávamos, quem éramos. A vizinhança se reunia em frente às casas... tomávamos café juntos: broa de fubá, pães de queijo quentinhos, a boa e velha limonada... Beber água era na mangueira: nunca ninguém ficou doente por causa disso. 

          Vejamos, por exemplo, as construções. Éramos cercados por casas, todas do mesmo estilo e com os portões baixinhos, pequenininhos. O tempo passou, os muros cada vez mais altos, fios elétricos por cima deles, rolos de arame farpado (verdadeiras casamatas)... já não há casas; no lugar, prédios...imensos... dezenas de pessoas umas sobre as outras e completamente alheias aos vizinhos. Por isso minha opção de morar numa cidade pacata, tranquila, sem violência



          Chega de saudosismo: este mundo ainda continua lindo, recheado de coisa bonita e, principalmente,  com pessoas maravilhosas de corações abertos ao próximo. 

Paz e Alegria.




          


quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de março

     Conheci Mulheres fantásticas nesta minha jornada: Bárbara, Nilza, Ângela, Regina, Elizabeth, Camila e Carolina, as quais devo minha existência, meus primeiros exemplos de Fé, de Alegria, de Desprendimento, de Firmeza de Caráter. 

     Outras tantas por quem me apaixonei como namoradas ou como amigas. Duas, em especial, Glauria e Márcia, que me presentearam com 3 maravilhosos filhos. Maria Ernestina (Taxina),  que foi para o mundo espiritual tão inesperadamente. 

      Outras ainda com quem trabalhei e que ainda trabalho. E tantas outras que, de uma forma ou de outra, compuseram-me um mosaico de sentimentos, uma aquarela de sensações... Mulheres de vários credos e raças, todas Maravilhosas!

     Mulheres impactantes, solícitas, altivas, fortes, confiantes e determinadas: minhas Mulheres Professoras, por quem tenho o mais profundo respeito, a mais profunda admiração. Há que se fazer um capítulo inteiro neste quesito. Tenho consciência de todas elas, mas ficaria, talvez, enfadonho se as relacionasse uma a uma, pois a lista seria enorme. Atenho-me então a um único nome: Stella Maris Brasil Santos. Você,  Stella, tem uma responsabilidade a mais entre tantas, a de ser meu vetor para homenagear a todas aquelas com quem tive contato; que sejam todas acariciadas e embaladas pelas mãos do nosso querido Mestre Jesus !  Não posso deixar de incluir aqui, também, uma Mulher disciplinária que fez muita diferença em minha vida, uma MARIA MARIA da música de  Milton Nascimento: Neide, minha Neide, a voz mais doce que uma seresta pode ter, viúva de um dos melhores amigos de todos os tempos, aquele que faz parte dos dedos de minha mão, Bananeira, e que com certeza deve hoje estar com seu violão cantando Ronda e encantando o céu.

     Tive o prazer de conviver com 2 Grandes Mulheres Educadoras em Pirapora: Lu Diniz e Ana Cláudia Chamone. Duas Mulheres de vanguarda, que hoje, devem estar no ano 2200, pesquisando novos Projetos, novas Iniciativas, sempre moldadas pela ética e pelo exemplo de Guimarães Rosa: o que importa não é a chegada, mas como fazemos nossa viagem.

     Tenho ainda uma homenagem a fazer à minha Grande Amiga, Grande Irmã, confidente de todas as horas: Bete Halle, filha do "babai" Said, a você o meu carinho, meu afeto e o meu Muito Obrigado !

     O que não falta são mulheres a ser homenageadas... Uma admirável Mulher: Inesita Barroso, figura marcante, defensora de nosso folclore, de nossa história, da nossa gente. Rendo também Graças às poetisas, Cecília Meireles e Cora Coralina; à escritora, cuja competência literária é imensurável, Clarice Lispector; às abnegadas, Irmã Dulce e Madre Teresa de Calcutá; às divas, Elis Regina, Nana Caymmi, Gal Gosta, Maria Bethânia e  Ângela Maria; às atrizes: Bibi Ferreira e Marília Pêra; à Presidenta Dilma; às jornalistas Roberta e Leila da Rede Minas.

     Outra Grande Amiga, Irmã Espiritual, profissional de rara competência, Regina Campidelli. Você, esposo e D têm lugar garantido em nosso coração.

     E o meu Muito Obrigado a você, Mulher, que faz com que nossos dias sejam mais intensos, que o nosso coração bata mais forte, que os nossos sonhos sejam realidade. Que sejam todas abençoadas e que Papai do Céu, em sua bondade infinita, as cubram com o Manto da Paz e da Alegria !


    

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ação e Reação

     Morei 8 anos em Pirapora, norte de MG, cidade à beira do Velho Chico, a mais cosmopolita de todas as cidades que já conheci. Aliás, todo o Norte de Minas tem por excelência ser acolhedor. É um outro estado dentro de Minas, culturalmente diferente. Grandes amizades em Januária, São Francisco, Janaúba, Salinas (uma pérola, por sinal), Novo Cruzeiro (aqui já no Vale do Jequitinhonha) e tantas outras cidades... Pode ser uma região pobre, economicamente falando, mas o Norte Mineiro tem a maior riqueza que um ser humano pode ter: o acolhimento e a sinceridade. 

     Mas o assunto de hoje é sobre  atitudes e consequências. Em uma das minhas idas a Pirapora, socorri um carro na estrada que estava sem gasolina. Eu retornei cerca de 20 km, comprei R$ 10,00 de gasolina e entreguei ao motorista. Quando ele bateu a mão na carteira, só havia R$ 5,00 e imediatamente quis fazer um cheque. Eu o abordei e disse: Não, faça o seguinte: nada de cheque ou depósito em minha conta, ao chegar em seu destino, compre um marmitex e entregue-o a uma pessoa que tenha necessidade, melhor pagamento impossível. Entramos cada qual em seu veículo e tomamos nossos destinos. 

     4 Anos se passam... eu, na Lagoa da Pampulha em BH, perto da A.A.B.B. as 11.30 h da noite,  meu pneu traseiro estoura. Quem conhece,  sabe bem que a esta hora, é um lugar sujeito a confusões, principalmente pela situação de se ficar exposto trocando pneu, mas como não havia o que se fazer, desci do carro e fiz uma pequena oração: Senhor, põe teus Anjos! Quando abri o porta-malas, parou um carro atrás, piscou o farol e um sujeito desceu. Este senhor portava à sua volta uma luz misteriosa, algo que até então nunca tinha visto. Não falou nada, apenas disse-me que ficasse tranquilo. Em suma, ele trocou o pneu, subiu e desceu macaco, sujou-se e eu não fiz absolutamente nada. Ele então me disse: "Você não está se lembrando de mim !"  Não tinha a menor idéia de quem era a pessoa. Foi quando ele me contou a história que ele estava na estrada , perto de Corinto, sem gasolina e que eu então o ajudei aumentando meu trajeto em 40 km (ida e volta ao posto) e que ele não tinha os R$ 5,00. Fiquei mudo. Como isso foi possível? É claro que eu quando o ajudei não tinha em mente que dali a 4 anos eu estaria na Pampulha com pneu furado e que ele me socorreria.

     Pode-se procurar explicação para o acontecimento: obra de Deus, sorte, coincidência, etc ... Mas nada disso me convence, exceto a única certeza que tenho em minha vida, a Lei do Retorno! Somos merecedores de tudo o que nos acontece, sejam coisas boas ou não. Nada acontece ao caso, aliás, acaso é algo que realmente não existe. Tenho por conduta servir: naquilo em que eu puder e da melhor maneira possível. Ser útil a alguém, não tem preço! Um simples sorriso, um abraço, uma palavra amiga, tudo, literalmente tudo, faz a diferença.

     E quando vejo meus filhos, Felipe, Gustavo e Igor, cada um à sua maneira, cada um com suas convicções, cada um com suas verdades... vejo-os, os três,  com  essa mesma característica de sempre estar presentes para ajudar. 3 grandes Companheiros e Amigos, como se diz por aqui: "pau pra toda obra". A Deus só posso agradecer esta oportunidade maravilhosa de ser Pai, de me permitir exercer essa função abençoada, de aprender a cada dia com eles. 

    Paz e Alegria                                             (foto de Pirapora by Aparício Mansur)

Fernando

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Metamorfose

     Foram-se anos... Tempo necessário para compreender a si mesma. Sentimentos conturbados, distorcidos, sofrimentos enormes e alegrias tamanhas. Tudo foi necessário; nenhuma vírgula escrita ao acaso (acaso não existe). 
     _ Eu errei muito! Disse-me ela com um penar e uma culpa terrivelmente enraizados no coração. Pergunto-me: _ Erros? Quais? Não há erros, houve escolhas, existiram caminhos tomados. E daí se faríamos diferente hoje ? Na época foram os escolhidos e  certos em nosso discernimento.  Mas é passado ! E se passou, passou. Da mesma forma que não piso em um rio 2 vezes, não posso alterar o que já vivi. Biblicamente já conhecido numa passagem de Ló:  aquele que olhar pra trás transformar-se-á em estátua de sal. O passado é somente referência, nada mais.

     _ Será que vou errar de novo? Agora sim, errou feio. Pois isso é futuro, futuro não me pertence nem a você! Se não posso viver o passado, muito menos o futuro! É querer segurar areia com a mão; escorre pelos dedos... 

     Resta-me apenas o agora; nem mais nem menos. É hoje o dia de minha transformação. É hoje que quebro as correntes e com a cara escancarada, sob a fúria do vento, com a alegria na alma,  desencasulo-me para a vida! Querem minha companhia? Segurem minha mão e voaremos juntos. Não estão prontos? Batam palmas e assistam meu vôo.

     E ela então se fez mulher e compreendeu o valor de ser livre, de ser feliz. Unir-se a quem lhe dá prazer, mas que também lhe dá afeto: a toalha quente, o abraço! Desejos animalescos entremeados a toques sutis... Morre o ontem, o antigo, a comodidade. Surge o instante,  a liberdade.

     É agora borboleta que estica as asas ao sol e começa suas primeiras aulas de aviação. Que voa ao sabor do vento e descansa no jardim que lhe convém. E que enxerga as coisas de cima. Isso é fantástico, ganhou verticalidade e consegue perceber todas as nuances de cores e de flores.

     E a partir desta comunhão de idéias e pensamentos, só há uma possibilidade: a de voar junto; de bater asas ao mesmo tempo, na mesma velocidade; ganhar o mais alto espaço e o mais baixo rasante; luppings de amor.

    É a construção infinita da vida: recuar,  quando preciso;  avançar,  para se dar continuidade e jamais, jamais  estagnar-se na rotina. O horizonte é o objetivo. Assim como o final do arco-iris.  Que maravilha entregar-se à vida, essa é minha proposta.

  
 Mas se contudo isso, o arriscar é gerador de medo, de receio ou de dúvida, é porque ainda não é borboleta, é tão somente uma lagarta. 

     Paz e Alegria

     Fernando




     
     


    

domingo, 8 de janeiro de 2012

Esperança !

     Começamos mais ano! Esperanças renovadas, promessas de mudança, mandingas e simpatias de todas as formas. Vale qualquer coisa: comer semente crua de romã, usar branco, pular ondas no mar 7 vezes seguidas... e mais infinitas possibilidades. E tudo é feito como se fosse a maior necessidade do mundo. Que todos os Orixás, todos os Santos e todas as Entidades de todos os credos e religiões consigam a ajudar nosso tão devastado planeta.

     Mas nosso assunto de hoje é a Esperança. Que sentimento é esse? Como ela atua em nossa vida? Pode alguém viver sem esperança?

     Encontrei-me com um amigo de longas datas que há muito não via, que ficou muito tempo sem trabalho e que nem por isso entrou em depressão,e falamos sobre esse sentimento. Ele me dissera que todos os dias ao sair de casa em busca de emprego tinha em mente somente um único objetivo: o trabalho! E que tinha a certeza de que iria conseguí-lo naquele dia. Disse-lhe: puxa vida! Você ficou quase um ano procurando. Ele retrucou: de jeito algum, foi apenas um dia, o dia em que eu consegui.

     Havia algo dentro dele que o movia de uma tal maneira que fiquei impressionado. Uma força que até então nunca tinha visto. E essa "força" é o que realmente lhe movimentava. O amigo era alguém muito além da pessoa que eu conhecia (Vale uma ressalva: ele é agnóstico completamente; não tem nenhuma religião, nenhuma doutrina, nenhuma seita.).  

     Perguntei-lhe se havia feito algum curso durante esses anos, algum tipo de concentração, ou auto-ajuda, ou qualquer outra coisa. Como fui arrogante ao achar que o que ele possuía fora adquirido ! Não, absolutamente não foi. É dele, é desenvolvimento e evolução dele próprio, puro merecimento. E a beleza está exatamente na descoberta do sentimento e, principalmente, na manufatura dele. Não adianta apenas descobrir a esperança em si mesmo se não for usá-la. Surge então dois passos: o da descoberta e o do uso.

     Como descobrir? Esperança está em estado latente em cada pessoa. Esperando uma oportunidade para brotar, para encontrar o sol, para se espalhar... Pode-se de alguma maneira provocar seu aparecimento? Acredito que não. Parece-me que seu despertamento ocorre diante de uma dificuldade e de como encaramos a vida. É de um instante de recolhimento e de reflexão. Ouvir pessoas que têm esse sentimento já definido nos ajuda a compreendê-lo e a querer despertá-lo em nós mesmos. Não vou entrar em nenhuma discussão religiosa a respeito.

     Como produzir? Muito simples: acordar sempre sabendo que o sol continua brilhando, mesmo que estejamos sob um temporal assustador; agradecer a oportunidade nos dada (não interessa por quem nem por que) de começarmos mais um dia em nossa jornada. E viver esse dia de forma intensa, com sabedoria, com alegria, com vivacidade. A esperança é a Arte de Viver ! Arte se pronuncia pelo dom, pela intuição que todos temos.

     Um 2012 de muita ESPERANÇA para todos nós.

Paz e Alegria