Morei 8 anos em Pirapora, norte de MG, cidade à beira do Velho Chico, a mais cosmopolita de todas as cidades que já conheci. Aliás, todo o Norte de Minas tem por excelência ser acolhedor. É um outro estado dentro de Minas, culturalmente diferente. Grandes amizades em Januária, São Francisco, Janaúba, Salinas (uma pérola, por sinal), Novo Cruzeiro (aqui já no Vale do Jequitinhonha) e tantas outras cidades... Pode ser uma região pobre, economicamente falando, mas o Norte Mineiro tem a maior riqueza que um ser humano pode ter: o acolhimento e a sinceridade.
Mas o assunto de hoje é sobre atitudes e consequências. Em uma das minhas idas a Pirapora, socorri um carro na estrada que estava sem gasolina. Eu retornei cerca de 20 km, comprei R$ 10,00 de gasolina e entreguei ao motorista. Quando ele bateu a mão na carteira, só havia R$ 5,00 e imediatamente quis fazer um cheque. Eu o abordei e disse: Não, faça o seguinte: nada de cheque ou depósito em minha conta, ao chegar em seu destino, compre um marmitex e entregue-o a uma pessoa que tenha necessidade, melhor pagamento impossível. Entramos cada qual em seu veículo e tomamos nossos destinos.
4 Anos se passam... eu, na Lagoa da Pampulha em BH, perto da A.A.B.B. as 11.30 h da noite, meu pneu traseiro estoura. Quem conhece, sabe bem que a esta hora, é um lugar sujeito a confusões, principalmente pela situação de se ficar exposto trocando pneu, mas como não havia o que se fazer, desci do carro e fiz uma pequena oração: Senhor, põe teus Anjos! Quando abri o porta-malas, parou um carro atrás, piscou o farol e um sujeito desceu. Este senhor portava à sua volta uma luz misteriosa, algo que até então nunca tinha visto. Não falou nada, apenas disse-me que ficasse tranquilo. Em suma, ele trocou o pneu, subiu e desceu macaco, sujou-se e eu não fiz absolutamente nada. Ele então me disse: "Você não está se lembrando de mim !" Não tinha a menor idéia de quem era a pessoa. Foi quando ele me contou a história que ele estava na estrada , perto de Corinto, sem gasolina e que eu então o ajudei aumentando meu trajeto em 40 km (ida e volta ao posto) e que ele não tinha os R$ 5,00. Fiquei mudo. Como isso foi possível? É claro que eu quando o ajudei não tinha em mente que dali a 4 anos eu estaria na Pampulha com pneu furado e que ele me socorreria.
Pode-se procurar explicação para o acontecimento: obra de Deus, sorte, coincidência, etc ... Mas nada disso me convence, exceto a única certeza que tenho em minha vida, a Lei do Retorno! Somos merecedores de tudo o que nos acontece, sejam coisas boas ou não. Nada acontece ao caso, aliás, acaso é algo que realmente não existe. Tenho por conduta servir: naquilo em que eu puder e da melhor maneira possível. Ser útil a alguém, não tem preço! Um simples sorriso, um abraço, uma palavra amiga, tudo, literalmente tudo, faz a diferença.
E quando vejo meus filhos, Felipe, Gustavo e Igor, cada um à sua maneira, cada um com suas convicções, cada um com suas verdades... vejo-os, os três, com essa mesma característica de sempre estar presentes para ajudar. 3 grandes Companheiros e Amigos, como se diz por aqui: "pau pra toda obra". A Deus só posso agradecer esta oportunidade maravilhosa de ser Pai, de me permitir exercer essa função abençoada, de aprender a cada dia com eles.
Paz e Alegria (foto de Pirapora by Aparício Mansur)
Fernando

